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Em entrevista exclusiva ao [portal GE], para o quadro Abre Aspas, o técnico Tite abriu o jogo sobre um adversário silencioso: a crise de ansiedade. No primeiro depoimento após sua saída do Cruzeiro, o ex-comandante da Seleção Brasileira detalhou o episódio que o impediu de assumir o Corinthians em 2025, evidenciando como a pressão extrema pode paralisar até os profissionais mais experientes.
O relato de Tite é um mergulho na angústia da indecisão e do esgotamento emocional. “Eu não conseguia dormir. Será que eu tenho condição de dar à equipe o que ela precisa?”, questionou-se na época. Mesmo após aceitar o convite por gratidão ao clube, o corpo sinalizou o limite durante a madrugada. “Acordei, comecei a caminhar e não conseguia mais deitar. Foi uma crise de ansiedade. Eu não teria condição de desenvolver o trabalho em cima dessas expectativas”, desabafou o treinador.
Essa vulnerabilidade exposta por um técnico com passagens por Flamengo e Seleção joga luz sobre um ambiente onde o desgaste psicológico é muitas vezes ignorado. Segundo a psicóloga Carla Viana Stefoglo, o papel de liderança agrava esse quadro. “O treinador é a referência emocional do elenco. Ele precisa sustentar uma postura de segurança enquanto lida com cobranças constantes de dirigentes, imprensa e torcida”, explica. Para a especialista, a resiliência exigida no futebol de elite torna o cuidado com a saúde mental um requisito de sobrevivência profissional.
O caso de Tite soma-se a um movimento crescente no esporte. Nos últimos anos, atletas de alto rendimento têm vindo a público para desmistificar transtornos como a depressão e a ansiedade, provando que, por trás do ídolo e da autoridade em campo, existe um ser humano sujeito aos mesmos limites emocionais que qualquer outro.