Se você não assistiu ao filme “Show de Truman”, brilhantemente estrelado por Jim Carrey, faça um favor para si mesmo: assista.
Em tempos de realities shows, superexposição e IA’s, em que confundimos realidade com ficção, essa obra de 1998 é mais atual e necessária do que nunca.
Mas por que estou falando de um filme que, aparentemente, não tem nada a ver com esportes em uma coluna esportiva? É porque, na verdade, ele tem tudo a ver com o universo esportivo.
Para quem ainda não viu Show de Truman, vou tentar resumir sem dar spoilers. O filme conta a história de um homem comum, que tem toda a sua vida transmitida como se fosse um reality show. Daí o trocadilho Truman, nome do protagonista interpretado por Jim Carrey, e que numa tradução livre significa “Homem de verdade”.
O mundo do esporte está cheio de “Trumans”. Para ficar em apenas alguns exemplos, vou começar a falar do Neymar. Quem acompanha minimamente futebol, já ouve sobre o craque santista há duas décadas. Seus primeiros registros midiáticos remontam ainda à sua adolescência. Ele era um menino de 13 anos – época em que as redes sociais estavam engatinhando.
Agora, pegando exemplos do tênis, assunto recorrente na coluna, podemos falar de João Fonseca. Com 19 anos, sua vida já é acompanhada com uma lupa pelos brasileiros. Guto Miguel, campeão junior de Roland Garros, também já tem ganhado destaque.
Mas o caso que mais me chamou a atenção recentemente foi do espanhol Rafael Nadal. Dono de 22 títulos de Grand Slams, sendo que 14 foram em Roland Garros, o tenista, já aposentado, acabou de completar 40 anos.
Nascido em 1986, uma época pré-internet, Rafa começou no tênis com quatro anos de idade, treinado por seu tio Toni Nadal.
E, até por ser da geração que é, fiquei impressionado com a quantidade de imagens que temos do Rafa ainda criança. São vídeos de torneios infantis, entrevistas, treinos…um vasto material que é possível ver no seu documentário na Netflix – outra dica de audiovisual para vocês, leitores.
Hoje, Nadal é conhecido mundialmente como um dos maiores tenistas da história. Mas sua vida, assim como a de Truman, é acompanhada muito de perto pelo público. No caso do espanhol, desde suas primeiras “raquetadas”.
Se o personagem de Jim Carrey, na verdade, era um “Fakeman”, os esportistas diariamente nos mostram as suas verdades. O que é ótimo. Amo quando astros são humanizados.
Para terminar, peço licença a Edgar Morin, sociólogo francês morto no último dia 29, aos 104 anos, para pegar carona na sua obra “As estrelas: mito e sedução no cinema”. Nela, Morin compara os atores de Hollywood aos deuses gregos da antiguidade.
Tal comparação pode ser aplicada aos atletas. Não à toa, Olimpíadas vem de Olimpo, a moradia das divindades.