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Entre a torcida e os holofotes: como as WAGs transformaram os estádios em vitrines de luxo

Fotos: Reprodução/Instagram

A escolha de uma bolsa avaliada em mais de R$ 420 mil para assistir a uma partida de futebol pode parecer incompatível com o ambiente de um estádio. Mas, para a influenciadora Flora Irajá, a presença de peças de altíssimo luxo nas arquibancadas e camarotes está longe de ser um acaso. Pelo contrário: faz parte de um fenômeno que une moda, prestígio e exposição.

O assunto ganhou destaque após Ana Lídia Martins, esposa de Bruno Guimarães, surgir com uma Mini Kelly II branca de crocodilo, da Hermès, durante um evento ligado ao universo do futebol. A peça, considerada uma das bolsas mais desejadas do mercado de luxo, chamou atenção não apenas pelo valor, mas pelo contexto em que foi usada.

Segundo Flora, a escolha da bolsa não está relacionada à praticidade ou à adequação ao ambiente esportivo.

“Acho que ela não escolheu uma Mini Kelly pensando especificamente em ir ao estádio. A escolha passa muito mais pela ostentação e pela demonstração de poder. Isso faz parte do universo das Wags, das esposas de jogadores de futebol, onde existe uma dinâmica de visibilidade e status”, afirma.

Na avaliação da empresária, os estádios deixaram de ser apenas espaços para acompanhar partidas e passaram a servir também como palco para tendências e produções sofisticadas, especialmente em períodos de grande exposição esportiva, como a Copa do Mundo.

“Virou uma tendência. Não importa se você está indo para um estádio, para um evento ao ar livre ou para qualquer outro lugar. O que importa é o impacto da sua chegada. É o ‘uau, chegou!’. Os holofotes acabam sendo mais importantes”, analisa.

Da camisa da Seleção ao look de camarote

Se o futebol inspira produções cada vez mais elaboradas, a camisa da Seleção Brasileira continua sendo a peça central para muitas torcedoras. O desafio está em transformar um item esportivo e casual em uma composição sofisticada.

A estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra o Marrocos, no último dia 13 de junho, foi mais uma demonstração de como a moda das WAGs tem se afastado da tradicional camisa da Seleção. Embora algumas tenham apostado no uniforme clássico, como Carol Cabrino, esposa do zagueiro Marquinhos, e Gabrielle Figueiredo, companheira de Gabriel Magalhães, a maioria preferiu produções elaboradas inspiradas nas cores nacionais.

Corsets estruturados em verde e amarelo, aplicações de paetês, peças personalizadas com nomes e números dos jogadores, além de bolsas de luxo, dominaram os looks compartilhados nas redes sociais antes da partida. Influenciadoras como Bruna Biancardi, Gabriely Miranda e Duda Fournier transformaram referências ao futebol em produções que se aproximam mais de um editorial de moda do que de uma arquibancada tradicional.

A tendência reforça a avaliação de Flora Irajá de que, entre esposas e companheiras de jogadores, a preocupação com estilo e projeção pública muitas vezes supera a lógica da torcida convencional. Mais do que usar o uniforme tradicional, a proposta parece ser reinterpretar os símbolos nacionais por meio da moda, criando produções que ganhem destaque tanto quanto o espetáculo dentro de campo.

Para Flora, a aposta da próxima Copa do Mundo está nos croppeds inspirados nas cores do Brasil, com aplicações de brilho, paetês e customizações.

“Você pode amarrar, transformar em um modelo mais curto, bordar ou customizar. Quando combina com uma peça de baixo mais estruturada e sofisticada, o resultado fica muito elegante”, explica.

A influencer destaca ainda que a mistura entre elementos esportivos e glamourosos tem sido uma das principais tendências da moda ligada ao futebol.

“Os croppeds com brilho trazem glamour. A ideia é montar um look estiloso, bem estruturado e que converse com esse universo das Wags.”

Torcida ou disputa por protagonismo?

Os looks das esposas e companheiras de jogadores frequentemente geram debates nas redes sociais. Enquanto alguns elogiam o estilo, outros questionam se as produções são exageradas para um ambiente esportivo.

Para Flora, porém, essa discussão já perdeu sentido.

“Pelo que eu observo, não existe ninguém ali preocupada em ser simples. São todas muito produzidas. O foco não está no local onde estão, mas em quem está olhando, no que será comentado e em quem vai chamar mais atenção.”

Ela acredita que a busca por destaque faz parte do contexto atual de exposição digital e cobertura constante da imprensa.

“Elas pensam nas câmeras, nas revistas, nos comentários e nas redes sociais. Existe uma preocupação muito grande com a imagem.”

Apesar disso, Flora afirma que seguiria um caminho diferente caso estivesse nessa posição.

“Eu também estaria muito bem arrumada, mas com menos logotipos aparentes. Gosto de roupas de marca pelo caimento e pela qualidade, mas não sou fã de logos muito grandes.”

A ascensão do luxo silencioso

Embora a exibição de riqueza ainda esteja presente em parte desse cenário, Flora observa uma mudança importante no comportamento dos consumidores de alta renda.

Para ela, o conceito de luxo contemporâneo tem migrado da exibição para a discrição.

“Hoje, para mim, luxo não é sair com um cinto enorme ou uma bolsa estampando o nome da marca.”

A empresária é adepta do chamado “luxo silencioso”, tendência caracterizada por peças de alta qualidade, acabamento refinado e exclusividade, mas sem logotipos evidentes.

Como exemplo, ela cita as bolsas da Hermès, reconhecidas por quem conhece o mercado de luxo, mas discretas para o público em geral.

“Se você olhar uma bolsa Hermès sem saber o que ela representa, pode achar que é uma bolsa comum. Só quem entende reconhece o valor daquela peça.”

Segundo Flora, essa transformação também já pode ser percebida entre esposas e companheiras de jogadores, embora receba menos atenção da mídia.

“Muitas delas são médicas, advogadas, empresárias e já adotam um estilo mais discreto. O problema é que quem aparece mais nas redes sociais normalmente é quem aposta na ostentação.”

Entre bolsas milionárias, camarotes disputados e produções cuidadosamente planejadas, uma coisa parece certa: no futebol moderno, a moda já conquistou um espaço tão estratégico quanto o próprio jogo. E, entre o luxo explícito e a elegância discreta, a projeção pública continua sendo um dos ativos mais valorizados deste cenário.

 

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