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(Sem) medo e delírio em Paris

Foto: GETTY IMAGES

Por Vinicius Bacelar

É difícil dizer onde João Fonseca vai parar. E nem é bom fazermos isso agora. Ele só tem 19 anos – e uma vida pela frente. Vamos desfrutar e deixá-lo desfrutar de tudo que está acontecendo. Mas a história está acontecendo sob nossos olhos e precisamos registrá-la.

Não sei o que você estava fazendo com 19 anos. João está em Paris. Em Roland Garros. Nas quartas de final. Ou seja, entre os oito melhores de um dos maiores torneios do tênis mundial.

Para chegar onde chegou, ele eliminou o tenista mais vitorioso da história. O sérvio Novak Djokovic não ficava fora das oitavas de final do Grand Slam francês desde 2009. João, que o eliminou antes das oitavas de 2026, tinha apenas dois anos de idade na eliminação anterior.

Djoko só tinha perdido uma partida de Grand Slam após abrir 2 sets a 0. Isso em 2010. João tinha três anos. Vocês estão entendendo o tamanho do feito do brasileiro na quadra Philippe Chatrier no último dia 29?

Mas João é o protagonista de um livro de história ainda em construção. No domingo (31 de maio), ele venceu o norueguês Casper Ruud pelas oitavas. Um jogador que também está acima do brasileiro no ranking e foi finalista de Roland Garros em duas oportunidades. Aliás, João não só despachou Ruud, como matou um fantasma que assombrou os brasileiros em 1998 – oito anos antes do tenista carioca nascer. Ano de Copa. França. Brasil x Noruega. Há 28 anos, deu ruim para nós. Mas esse é outro papo.

Agora, como disse antes, João está nas quartas de final. Há 22 anos, o Brasil não tinha um atleta sem deficiência (um tema que iremos discutir em outro momento), na chave individual, nesta fase em um Grand Slam. O carioca nem era nascido quando Gustavo Kuerten, o Guga, chegou entre os oito melhores na capital francesa, no longínquo ano de 2004.

Guga, inclusive, estava na Philippe Chatrier neste domingo. Apoiando e com os olhos marejados, ele parecia ver o futuro repetir o passado em Paris. Guga, para quem não sabe, é tricampeão de Roland Garros.

Que sua presença na Cidade-Luz ilumine João. E que o carioca continue sem medo. Porque ele já está provocando delírios em Paris.

 

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